Medo? Medo de quê?

Pense em Suas Apresentações

Você ocupa o espaço que merece enquanto comunicador?

Se a resposta for sim, parabéns! Você desfruta de uma condição rara, experimentada por poucos e cobiçada por muitos.

Mas se for não, não se martirize. Bem-vindo ao clube das pessoas normais, que, apesar de todas as barreiras, não desistem de aprimorar a sua capacidade de comunicação.

Não há nada mais poderoso para o sucesso e o reconhecimento na carreira profissional que saber comunicar-se. É uma competência obrigatória em todas as áreas profissionais.

Falar em público, para muitas pessoas, é sempre um terreno movediço, porque estar em evidência pode causar ansiedade, medo e inibição. A pessoa que não consegue se comunicar de forma eficaz geralmente é rotulada ou se autodefine como tímida. De fato, a timidez é um dos maiores bloqueios do ser humano, porque aprisiona as suas potencialidades no momento em que ele mais necessita dela para interagir com o outro, para se comunicar. Os sintomas mais comuns são sentir vergonha, temer dizer algo indevido e soar ridículo, ter medo da crítica alheia, da rejeição, de não ser aceito. Esse sentimento de inadequação e medo impede a pessoa de se expressar e cala a sua voz.

Especialistas garantem que em quase tudo que fazemos buscamos satisfazer a duas grandes necessidades: ser aceitos e ser reconhecidos, porque tememos ser desaprovados e, consequentemente, rejeitados.

O medo é uma das três grandes barreiras da comunicação eficaz, ao lado da mágoa (as “águas paradas” que causam ressentimentos e nos mantêm presos ao passado) e da autopercepção negativa (boicotar a si mesmo achando que “não pode”, “não é capaz”, “não merece”). Iremos nos deter sobre o medo, porque ele é o maior responsável pelo aprisionamento de quem quer se comunicar.

O medo molda uma autoestima e autoimagem extremamente negativas.  Ele alimenta na pessoa a sensação de que ela não tem competência para criar a própria história, impedindo-a de ousar, de transpor barreiras e de aproveitar as oportunidades que se apresentam. Quando sentimos medo, os desafios se transformam em ameaças capazes de imobilizar o nosso talento e a nossa carreira.

*A psicoterapeuta Rosali Michelsohn provoca: “Se ousarmos fazer uma pesquisa sobre a classificação de medos, o da morte não estaria no mais alto grau? Temer a morte abrange os outros medos. Se um inseto causa medo é por ele ser um causador de morte em potencial. Se ocorre a taquicardia nas alturas é pela eminência de morte. E qual a ligação da dificuldade de se expressar com a morte? Não seria o “ser morto” por não ser aquela pessoa que os outros esperam que deveríamos ser? “Morre” quem não é aceito, não é incluído, não é ouvido.”

Não é à toa que as pessoas sentem “frio na barriga”, taquicardia, boca seca e as mãos suadas quando se veem diante de uma plateia. Nos ambientes profissionais já foram diagnosticadas, além da glossofobia (medo de falar diante de outros), a atelofobia (medo da imperfeição), a claustrofobia (medo de locais fechados como elevador), a climacofobia (medo de escada) e até a ciberfobia (medo de computador). Não custa lembrar que todos esses medos podem ser tratados.

Mas por que tanta gente tem tanto medo e vergonha das coisas que pensa e fala?

A resposta é mais complexa do que se imagina,  uma vez que o ato de falar pode nos remeter a uma série de acontecimentos dolorosos do passado, os quais continuam mais presentes do que nunca dentro de nós. Ao reviver alguns fatos da infância, certamente extrairemos frases que soaram de forma negativa em nossa mente por caracterizarem a repressão no ambiente familiar, escolar e social, tais como:

“Não diga bobagem!”
“Pare de gaguejar!”
“Em boca fechada não entra mosquito!”
“Você parece uma matraca!”
“Você não tem assunto!”
“Cale a boca!”
“Isso é mentira!”
“Fale baixo!”
“Você é chato!”
“Que voz irritante você tem!”
“Como você fala mal!”
“Vá lá prá fora e não me atrapalhe!”
“Essa sua ideia não tem sentido!”
“Não vou mais ouvir você!”

Dependendo das características individuais, a programação mental negativa internalizada criará uma base sobre a qual se instalará o medo, que é fonte de autopiedade e um inibidor do crescimento pessoal. Ele seguirá invalidando a nossa competência, intensificando a timidez e a inibição e, consequentemente, nos levando a estabelecer relações interpessoais precárias.

Porém, é importante lembrar que o bloqueio dos que não conseguem se expressar se deu em campo fértil que a pessoa já tinha dentro de si. Diferenças individuais mostram que certas crianças conseguem resistir a todas aquelas expressões negativas e sair-se muito bem. Ninguém pode afirmar com certeza que a repetição constante das frases acima irá condenar alguém a se calar em público. A criança pode aprender a ouvir frases desmotivadoras e não se sentir mal, mas entender que está sendo realmente inconveniente. É importante lembrar que também entram nessa dinâmica o tom com que as frases são ditas e o ambiente cultural em que a pessoa vive.

Considerando-se, então, que alguém já tenha dentro de si um terreno propício para o medo e a inibição, se o medo de mudar for maior que o desejo de superar limites, os constantes monólogos internos negativos se consolidarão e a pessoa acabará se resignando com a sua aparente falta de escolha: Por exemplo:

“Não nasci com o dom da palavra.”
“Sou uma negação quando preciso dizer o que penso.”
“Ser tímido é a minha sina.”
“Com esta idade não mudarei mesmo.”
“Não nasci para ser estrela.”
“Gente dá muito trabalho.”
“Não gosto dos refletores, prefiro ficar nos bastidores.”
“Você pode me representar melhor.”

As expressões acima vêm carregadas de alto poder destrutivo, que será ainda maior se elas se tornarem crenças autolimitadoras, tais como: “Você não é inteligente, por isso não deve se expor; se o fizer, será punido pela crítica negativa.”

Quanto mais medo a pessoa sente, mais necessidade ela tem de  se esconder e viver na sombra, pois tem certeza de que não é respeitada e jamais alcançará sucesso em tudo o que fizer, e acabara se acostumando com a frustração. Ou seja, ela não tem medo de falar em público, mas de não ser amada. Já o prazer de falar em público é real. Uma vez encontrado, rompe-se essa fórmula de desconforto e mesmo de horror.

Você sabia?

As dificuldades do passado podem ser tratadas de duas maneiras distintas:

1. Pela releitura. Por mais dolorosa que tenha sido a experiência, as barreiras que resultaram em medo, mágoa e pensamentos destrutivos podem ser reinterpretadas, ou seja, ser transformadas em ensinamento. A terapia ajuda a encarar os fatos de maneira mais assertiva.

2. Pela superação induzida. Coragem é o medo bem administrado. Então, por que não transformar os pensamentos negativos em positivos? Ninguém está livre da adversidade, mas ela pode ser utilizada a nosso favor através da autossuperação, que por sua vez está relacionada à autoimagem e à autoestima. Se ambas forem saudáveis, fornecerão um número maior de ferramentas para  superar o medo com mais eficácia.